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[Resenha] Garota, Traduzida – Jean Kwok

Quando Kimberly Chang e sua mãe, emigrantes de Hong Kong, se estabelecem numa área pobre do Brooklyn, tem início uma árdua dupla jornada para a menina de 11 anos. De dia, ela luta na escola contra o seu quase total desconhecimento do inglês, superando o preconceito do professor e revelando-se uma aluna determinada em aprender. À noite, ao lado da mãe, trabalha duro numa fábrica de tecidos, desafiando a incredulidade de colegas de escola, confiantes de que ‘trabalho infantil não existe nos Estados Unidos’. Dia após dia, Kimberly lida em silêncio com verdades dolorosas e uma vida de privações. Num apartamento imundo, frio e infestado de ratos, a menina encara um futuro incerto, cujo peso recai sobre seus ombros, em função da deterioração da saúde de sua mãe. Kimberly ainda nutre um amor secreto por um menino que trabalha na casa de máquinas da fábrica na qual trabalha. Sua imaginação, criatividade e capacidade de amar são suas únicas armas para encontrar algum conforto e perspectivas.
Editora: Suma de Letras
Autor: Jean Kwok
ISBN: 856028091x
Número de páginas: 240
Avaliação:
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Esse foi um daqueles livros que eu pensei ter uma história bobinha e acabou me surpreendendo. Através da história contada por Jean Kwok eu pude repensar minha própria vida e minhas atitudes.
A gente costuma se acomodar na nossa vidinha e, dentro do nosso conforto, ainda achar coisas para reclamar. E Kimberly Chang, a heroína de Garota, Traduzida, teria tudo para ser uma pessoa que só reclama e não faz nada pra mudar, mas ao contrário, ela acha em suas dificuldades um jeito de colocar a vida e o destino a seu favor.
Emigrantes de Hong Kong, Kimberly chega ainda criança aos EUA e junto com a mãe passa a trabalhar em uma fábrica, mesmo não tendo idade para isso. Vivendo por anos em condição de quase miséria, ela não deixa de lutar por seus sonhos e de manter a sua integridade. Quando cresce e descobre o amor, tem que fazer escolhas que mudarão para sempre a sua vida. Então começa o “conto de fadas da vida real”, que tem um final surpreendente o qual eu estou tentando aceitar até agora. A princípio pensei que seria um final feminista, mas agora pensando melhor, quem sabe seja apenas um final justo. Como tudo deve ser e como a vida, a gente sabe, acaba sendo. Por mais que a gente teime em dizer o contrário, quando as coisas não acontecem como queremos.
Gostei muito do jeito que a história é narrada, em primeira pessoa, pela protagonista. Nos últimos capítulos eu corria com a leitura, ansiosa pra saber como se encerraria o livro, já tão cheio de reviravoltas. Creio que ele serve como uma ótima reflexão para todos, principalmente por ser embalado em um enredo cativante, que te faz torcer muito pela personagem principal. Se tiver a oportunidade, não deixe de ler este livro.
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