2
mar

[Resenha] O Livro das Coisas Perdidas – John Connolly

O Livro das Coisas Perdidas - Brasil

Após a morte da mãe, David, de 12 anos, passa a maior parte do tempo em seu quarto tendo com os livros como companhia. Quando eles começam a sussurrar para o menino, realidade e imaginação se misturam até que, ao brincar no jardim, entra em um reino encantado, onde encontrará heróis, monstros e um rei fracassado que guarda seus segredos em um livro misterioso. John Connolly, em O Livro das Coisas Perdidas, desconstruirá fábulas conhecidas, como A Branca de Neve e os Sete Anões e João e Maria, por meio de muita imaginação e mistério.

Editora: Bertrand Brasil
Autor: John Connolly
Avaliação:
Leia o primeiro capítulo

Logo no primeiro capítulo eu já gostei deste livro, a mãe de David (o personagem principal) ama os livros como eu e ensinou o filho a amá-los também. Durante a leitura pensei muitas vezes na minha relação com o Eduardo, o que eu quero que ele aprenda, o que eu posso passar pra ele de importante sobre a vida. Eu gostei desde o início também da forma como o John Connoly escreve, de uma forma leve, graciosa, envolvente e sensível. Foi uma delicia ler o livro, que foi lido boa parte com o Dudu no meu colo. :) Tem uma frase da mãe que expressa o que eu sinto em relação aos livros “As histórias queriam ser lidas, dizia, num murmúrio, a mãe de David. Precisavam disso, era por isso que forçavam passagem do seu mundo para o nosso. Queria que as fizéssemos viver.” ao ler um livro sempre acho que dou vida a ele, e ao resenhar e manter este blog espero que mais pessoas também deem a oportunidade do livro viver. ;)

Mas vamos à história… David é um garoto de 12 anos muito esperto e que acha que tudo que ele faz pode manter sua mãe viva, ela está doente e ele acaba desenvolvendo TOC (transtorno obsessivo compulsivo), ele cria um ritual que acredita que salvará sua mãe, pois acredita que o destino da mãe está relacionado a seus atos, então ele coloca as coisas sempre no mesmo lugar, escova os dentes contando até 20, toca as maçanetas e torneiras um número determinado de vezes e outras coisas que quem tem TOC faz. Quando a mãe morre ele acha que foi culpa dele, pois ele pode ter contado errado ou esquecido de fazer algo. E ele continua com seu ritual pois acha que não conseguiu salvar a mãe, mas é graças ao ritual que seu pai está vivo, é comovente.

Até que seu pai se casa novamente e eles se mudam de casa. Na nova casa David ganha um quarto repleto de livros. Mas a relação dele com a madrasta não é nada boa, ele não suporta Rose e também não suporta seu meio-irmão Georgie, então ele evita contato com os dois e está sempre em seu quarto ou nos jardins da casa lendo um livro, o que o torna um garoto muito solitário.

David vive em Londres durante a Segunda Guerra Mundial e vemos por sua perspectiva a guerra. Numa noite ele ouve sua mãe o chamar e ele vai até o jardim rebaixado da casa e seguindo a voz da mãe ele entra em outro mundo. Ele tenta voltar para casa, mas o caminho some e ele é obrigado a permanecer neste novo mundo, onde ele encontra muitos personagens de seus livros, como o lenhador, os sete anões e a branca de neve e esses são só alguns. Só que tudo é diferente do que ele conhece e ele precisa tomar cuidado, pois lobos querem comê-lo e nem tudo que parece ser bom é de verdade. Então ele parte numa aventura incrível em busca de ajuda para voltar para casa. :)

O livro realmente começa quando David vai para esse outro mundo e acompanhamos as aventuras dele, John Connoly narra tudo com muitos detalhes e muita criatividade, e leva para os contos de fadas as coisas que existem atualmente, boas ou más, uma mistura de fantasia e realidade. As histórias que David ouve são bem diferentes das que conhecemos, são mais reais e algumas muito maldosas, assustadoras.

Um livro com uma história única, uma narrativa envolvente e super criativa. O Livro das Coisas Perdidas é um livro para jovens e adultos que adoram contos de fada. :)

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Mari
29
fev

[Resenha] O Garoto da Casa ao Lado – Meg Cabot

Melissa Fuller é uma garota do interior que escreve para a coluna de fofocas do New York Journal, uma publicação de segunda categoria. Um dia, ela socorre Helen Friedlander, sua vizinha de oitenta anos que entra em coma após levar um golpe na cabeça. Além de tomar conta dos dois gatos e do cão dinamarquês da Sra. Friedlander, Mel fica de olho no misterioso sobrinho dela, que se mudou para a casa da tia para também cuidar dos bichinhos. Da autora da série Diário da Princesa, um fenômeno mundial da literatura juvenil, O garoto da casa ao lado é um romance que mistura amor, comédia e suspense aliados ao estilo de vida nova-iorquino.

Editora: Record
Autora: Meg Cabot
ISBN: 9788501066176
Número de páginas: 400
Avaliação:
Comprar: Submarino | Livraria Cultura

Esse é um dos meus livros preferidos da Meg Cabot, li em 2004 e adorei reler, me diverti tanto quanto quando li na primeira vez. :D Apesar do nome do livro ser “O Garoto da Casa ao Lado” o mais correto seria “O Homem da Casa ao Lado”, o livro tem cara de ser bem juvenil, mas não é. :) É um chick-lit delicioso de ler, daqueles que anima qualquer dia. :D

Melissa Fuller é uma jovem jornalista que há alguns anos se mudou de Lansing para Nova York. Sua vida em Lansing era bem sossegada, a cidade interiorana é super pequena (daquelas que todo mundo conhece todo mundo), e ela morava com os pais superprotetores. Agora ela mora na cidade grande e é jornalista do New York Journal e responsável pela Página Dez, a página das fofocas, celebridades e eventos da cidade. Ela adora saber sobre a vida das celebridades, mas ficaria ainda mais feliz se George, o editor-chefe do jornal, lhe desse outras matérias pra cobrir. Mas como ele nem pensa em fazer isso, ela segue indo em festas e de olho em toda fofoca que surge sobre a Winona Rider, rs. :D

Até que um dia antes de ir trabalhar ela estranha o comportamento do cachorro da vizinha e ao sair do seu apartamento, ela vê que o jornal concorrente o NY Chronicle da Senhora Friedlander ainda está na frente da porta, isso é tão incomum que ela decide ver se está tudo bem com a senhora de 82 anos e descobre que ela foi atacada por alguém. A senhora é levada pro hospital e fica em coma, enquanto isso ela tem que cuidar de Paco, o cachorro da vizinha e dos dois gatos, Sr. Botucas e Chico Bum. Isso faz com que Mel perca o dia trabalho e ela acaba por receber mais um aviso do RH mencionando que é o 37º atraso dela e isso pode lhe causar uma suspensão, ou pior, uma demissão. Como se ela não tivesse mais nenhum problema, né?

Mas sua amiga Nadine acaba achando uma solução para ela não ter que se atrasar todo dia, e também não perder a hora do almoço levando o Paco pra passear, então Mel decide entrar em contato com o único parente vivo da Sra. Friedlander, seu sobrinho Max, um fotógrafo conhecido por seu caso com modelos e por fazer pedidos estranhos nas sessões de fotos.

Ele topa voltar da viagem que está fazendo e ficar com os animais, mas na verdade pede para um amigo que está devendo um favor pra ele, John Trent, ficar com os animais enquanto ele curte suas férias com a super modelo Vivica, afinal, ele não quer perder a chance de ficar com ela e também não pode chatear sua avó que é milionária e com certeza o tiraria de seu testamento se soubesse que ele não está nem aí pra ela.

Só que John Trent é um milionário, daqueles que não gasta sua fortuna e tem um trabalho normal, ele é jornalista policial no New York Chronicle e como ele não quer ficar devendo nada para Max ele topa se passar por ele, só que ele nem imagina na confusão que irá se meter. Só pra começar ele tem uma queda por ruivas e Melissa é ruiva, então dá pra imaginar o que está por vir. :)

O livro é uma delícia de ler, o livro é todo escrito em forma de e-mails que são trocados entre os personagens. Os personagens são bem construídos e vamos conhecendo-os aos poucos. Há muitos momentos engraçados e a história é super bem amarrada, com um final ótimo. Recomendadíssima a leitura.

O que torna o livro ainda mais legal é que ele faz parte de uma série. Os livros seguintes da série não são sobre os mesmos personagens, mas eles também aparecem, e toda vez que lia algo em “Garoto Encontra Garota” eu lembrava deste livro e ria. :D Achei genial.

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Mari
27
fev

[Resenha] Glimmerglass: O Encontro de Dois Mundos – Jenna Black

Dana Hathaway ainda não sabe, mas vai acabar se metendo em apuros quando decide que é a hora de fugir de casa para encontrar seu misterioso pai na cidade de Avalon: o único lugar na Terra onde o mundo real e o mágico se cruzam. No entanto, assim que Dana põe os pés na cidade mágica, tudo começa a dar errado, pois ela não é uma adolescente comum – ela é uma faeriewalker, um indivíduo raro que pode viajar entre os dois mundos e a única pessoa que pode levar magia ao mundo humano e tecnologia a cidade de Faerie.

Não demora muito e Dana envolve-se no jogo implacável da política do mundo da magia. Alguém está tentando matá-la, e todos parecem querer alguma coisa dela, desde seus novos amigos e da família até Ethan, o lindo garoto com poderes fantásticos com quem Dana acha que nunca terá uma chance… Até ter uma.

Presa entre esses dois mundos, Dana não sabe bem onde se encaixa ou em quem pode confiar, muito menos se sua vida um dia voltará a ser normal.

Editora: Universo dos Livros
Autora: Jenna Black
ISBN: 9788579302381
Número de páginas: 295
Avaliação:
Comprar: Submarino | Livraria Cultura | SBS
Leia o primeiro capítulo

Glimmerglass é o primeiro volume da série Faeriewalker. Uma série que mistura magia (o mundo das fadas e a famosa cidade Avalon – uma ilha lendária da lenda Arturiana) com o mundo humano.

Dana tem 16 anos e desde os 5 anos é ela quem cuida da mãe, que está sempre bêbada. Ela não conhece seu pai, pois a mãe diz que ele é um homem terrível e elas vivem mudando de cidade, e até de país, para que ele não as encontre. Afinal, a mãe dela não é nenhum exemplo de boa mãe e seria fácil para ele tirar Dana dela.

Um dia, depois que sua mãe aparece em sua apresentação escolar caindo de bêbada, ela decide fugir de casa e ir morar com o pai. Ela só sabe o nome dele, Seamus Stuart, mas como ele é o único com esse nome em Avalon, ela facilmente o encontra e mantém contato. No mundo da série Faeriewalker, Avalon existe e é uma cidade que fica na Inglaterra e é visitada por turistas humanos, lá a magia funciona e feéricos e humanos convivem bem. Avalon é o pedaço de terra mais cobiçado do mundo, e é independente como o Vaticano.

O pai de Dana é um feérico, um dos grandes senhores Seelie, como a mãe de Dana é uma humana, Dana é uma mestiça, uma mistura de feérico (fada) com humano. Então ela vai a Londres e parte pra Avalon achando que finalmente poderá deixar de ser tão adulta e ter uma vida normal, mas ela se engana completamente, pois ela não é uma adolescente comum e tudo logo começa a dar errado.

Primeiro ninguém a busca no aeroporto, depois ela é detida na imigração de Avalon, descobre que tem uma tia, descobre que seu pai está preso e ainda é trancada num quarto por sua tia Grace. E como se nada pudesse piorar, ela descobre que tem outras pessoas a perseguindo e ela corre perigo, até criaturas unseelie que nem poderiam entrar em Avalon aparecem para tentar matá-la. Só que ela não faz ideia do motivo disso.

O motivo disso tudo é que ela é uma faeriewalker, ela consegue andar entre os mundos: entra em Faerie, em Avalon e também no mundo humano, o que não é comum. Mas como se não bastasse, ela também pode carregar tecnologia pra Faerie e magia para o mundo humano, e a última pessoa que podia fazer isso morreu há setenta e cinco anos, o que a torna única.

Então ela fica sem saber quem são seus inimigos e não sabe em quem confiar. Na tia? No pai? Nos irmãos Ethan e Kimber? Como quem ela estará a salvo?

A história é dinâmica, mas algumas vezes eu me perdia, por conta das explicações sobre como funciona Avalon, Faerie e tudo o mais serem dadas aos poucos, então teve hora que não entendia a proporção do que estava acontecendo, somente lá pro final dá pra sacar a história e porque Dana é tão importante para todos, porque querem ver ela morta, ou então viva, mas como aliada. Acredito que o segundo volume da série seja melhor por já termos uma noção clara da importância de Dana e do poder que ela pode exercer.

Eu gostei muito da personagem principal, Dana é uma personagem carismática, e muito real, ela chora quando está confusa, age como criança quando está com raiva, é madura em relação ao poder que tem, é super responsável em tudo que faz, e fica que nem uma boba perto de um
garoto que lhe atraia… E por isso eu gostei tanto dela. :D

O projeto gráfico é bem bonito e a capa é um charme. Já estou com o segundo volume da série e agora vou lê-lo. :D

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Mari
22
fev

[Resenha] Na Fronteira da Realidade – Gabriel Billy

Na Fronteira da Realidade

Victor é afastado do seu cargo de policial, o motivo: sua esquizofrenia em estágio avançado. Após ser demitido, Victor passa a viver um chato e vazio cotidiano, o que aumenta suas crises de alucinações e paranóias. Em paralelo, uma série de assassinatos ocorre sempre tendo como vítima algum ex-colega de Colégio de Victor. Em cada assassinato é deixada uma partitura de música popular escrita com o sangue da vítima. Mesmo doente, Victor começa a investigar por conta própria os assassinatos e com sua doença em um momento tão delicado, ele passa a ter diversas alucinações, mas seriam mesmo alucinações? De fato, Victor não sabe. Ele passa a viver sem a certeza do que é real e do que é fruto da sua imaginação e nesta loucura que é viver sem certezas, nosso protagonista passa ao leitor esta mesma sensação, confundindo quem lê sobre quais cenas do livro de fato acontecem e quais são frutos da imaginação de Victor.

Editora: Torre
Autor: Gabriel Billy
ISBN: 9788579616952
Número de páginas: 127
Avaliação:
Comprar: Livraria Torre

Romance policial brasileiro, oba! De início fiquei bastante animada para ler este livro: adoro tramas policialescas e o fato de ser um autor brasileiro sempre me deixa feliz. O livro é curtinho e bem enxuto, a narrativa não se perde em muitos detalhes e floreios, então você lê rapinho.

Eu gostei da premissa: policial afastado tenta desvendar quem é o psicopata por trás de uma série de assassinatos que estão ocorrendo entre um grupo de ex-colegas de classe. Achei que a trama toda foi bem desenvolvida e ao final a identidade do assassino fez todo o sentido, embora seja surpreendente.

É um livro bem dinâmico, pra quem gosta de ação, direto e reto. Essa coisa de “fronteira da realidade” é mesmo o ponto-chave da trama: em alguns momentos é difícil perceber quando uma cena é real ou é fruto dos delírios de Victor, o policial afastado que é personagem principal do livro. Isso pode dificultar um pouco o entendimento, então por vezes me vi tendo que reler um parágrafo ou outro. Mas nada que comprometa a leitura.

Enfim, é um livro tão curto que poderia ser um conto. Vale pra descontrair entre uma leitura e outra! :)

tadsh
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Mari. Paulista. Web Designer e Analista SEO/SEM. Completamente viciada em livros.
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